Os nove obstáculos para a Criatividade

Os nove obstáculos para a Criatividade

Se um dia já fomos imaginativos e criativos, por que deixamos de ser? Vou apresentar a seguir, os nove principais obstáculos para uma mente criativa. Todos os obstáculos são contornáveis, e recuperação da criatividade é uma opção para qualquer um.

Reconhecimento e ambição

Reconhecimento e Ambição

Reconhecimento e Ambição

Por que você faz o que faz? Ser criativo está ligado à auto realização, ame o que você faz, e assim você será criativo. A criatividade está ligada a amar tudo o que você faz, não importa se lhe elogiarão por isso, não importa se isso lhe trará fama, não importa se isso lhe trará riqueza. Se a fama vier, se a riqueza vier, ótimo. Se não vier, ótimo, pois o seu motor deve ser a auto realização. Quando a ambição aparece, a criatividade desaparece. Somos ensinados que somente se tivermos reconhecimento seremos alguém, nosso trabalho por si só é irrelevante. O trabalho não é importante, mas o reconhecimento é – isso é uma inversão de valores.

Quanto mais nos importamos com as opiniões das outras pessoas, menos criativos ficamos. Ser criativo está diretamente ligado a pensar diferente, em ser diferente do “normal”. Se você precisa “ser” alguém para os outros, dificilmente você será criativo; pois estará muito preocupado com o que os outros irão pensar sobre o que você pensa, imagina e cria, perdendo assim, sua essência criativa e sua originalidade. Seja você, faça por você.

O intelecto

Intelecto

O intelecto

O intelecto, é uma excelente ferramenta, e se usado como tal, tem um imenso potencial. Mas se o intelecto for visto como a base do ser humano, como quem coordena o nosso ser, e não como uma ferramenta, ele se torna uma prisão e já não podemos mais ser criativos. A mente concreta pode apenas conectar fatos e dados já vistos, ela não tem poder de abstração, ela não enxerga o todo, apenas as partes. A mente concreta pode apenas reproduzir, o que é uma atividade mecânica, mas ela não pode criar. Criar significa trazer à existência aquilo que é novo; abrir caminho para que o desconhecido penetre o conhecido, e isso apenas a mente abstrata pode fazer.

“Devemos tomar cuidado para não fazer do nosso intelecto nosso deus; ele tem, é claro, músculos potentes, mas não tem personalidade.”

– Albert Einstein, físico

Apenas acessando a mente abstrata é que podemos ser realmente criativos, e para isso, é necessário silenciar o intelecto. A mente concreta pode conectar informações, se o Uber pode conectar motoristas com quem precisa se locomover, eu posso ligar manicures a quem precisa fazer as unhas. Esse tipo de criatividade, de ligar os pontos, é possível através da mente concreta, podemos programar computadores para realizar a mesma tarefa. Já a mente abstrata é aquela que ajudou Steve Jobs a transportar arte para dentro de máquinas computacionais, um dom intransferível e exclusivamente humano.

O medo e a dúvida

Enfrentar o Medo

Enfrentar o Medo

“Tais dúvidas são traiçoeiras, e nos fazem perder o bem que muitas vezes poderíamos alcançar pelo temor que temos de tentar”.

– William Shakespeare, poeta e dramaturgo

Quase todo adulto vive cercado por medos e dúvidas, diferente das crianças, que são livres, sem medos até serem instigadas, e suas dúvidas são na verdade questionamentos sobre o mundo. As dúvidas do adulto são sobre sua própria capacidade, e se transformam em medo. As ideias criativas acabam deixando de existir, pois talvez elas não sejam boas o suficiente, ou até tolas ou imaturas. O que os outros iriam pensar dele se suas ideias fossem consideradas assim? É melhor não arriscar e calar.

“O maior inimigo da criatividade é o bom senso…”

– Pablo Picasso, pintor e artista

O indivíduo criativo não pode ter medo de errar, ele deve arriscar, ele deve ser aquele que levanta a mão em uma aula e faz perguntas, mesmo que elas sejam ridículas para os outros. Ele não teme o julgamento, não tem medo de parecer um idiota na frente dos outros. O medo nos leva a agir de forma coerente com nosso meio, de forma não questionadora, se ninguém faz esse tipo de questionamento eu também não devo fazer. O criador não tem esse tipo de medo, ele vai atrás do diferente, ele faz perguntas: “por que se faz dessa maneira?”, “Não podemos fazer diferente?”.

O perfeccionismo e as comparações

Existe uma neurose moderna onde se acredita que tudo deve ser perfeito. Nosso trabalho deve ser perfeito, nossa vida deve ser perfeita, nos comparamos constantemente com os outros, e queremos ser “melhores”. Essas atitudes tiram o foco de nosso lado criativo, nos deixando presos ao perfeccionismo, não deixamos nossa intuição e nossa inspiração nos guiar, comprometendo o processo criativo. Os que buscam a perfeição nunca serão perfeitos. A criatividade está ligada com a espontaneidade, com a originalidade e não com a perfeição. Uma parte de você pode estar condenando-o, criticando-o, reprovando-o, você está dividido e não pleno. Seja você mesmo, busque em seu interior a plenitude, a originalidade e não a perfeição. Uma obra de Picasso é perfeita? Assuma riscos, não tenha medo de errar.

Ser produtivo o tempo todo

Produtividade

Ser produtivo o tempo todo

A sociedade atual menospreza o ócio, temos que estar sempre fazendo algo produtivo o tempo todo para sermos considerados úteis. Estar simplesmente parado, contemplando, desprovido de pensamentos é algo inaceitável, mas é extremamente importante para quem busca ser criativo. É necessário silenciar a mente concreta para acessar nossa mente abstrata, para que possamos nos inspirar, para que os insights possam surgir. Deve ser possível ficar em silêncio, “parado”, sem a preocupação de estarmos jogando nosso tempo fora. Esse processo é importante para que não sejam fechadas as portas da mente abstrata, da intuição e da criatividade. A ociosidade também é produtiva.

A eficiência

Eficiência

Devemos ser eficientes como computadores

“Nos processos de seleção, as empresas descartam os criativos e ficam com as pessoas sem imaginação. Depois as mandam fazer cursos de criatividade.”

– Domenico De Masi, sociólogo italiano

Atualmente louvamos a eficiência e a produtividade, devemos regrar cuidadosamente nossas agendas, nossos horários, fazer cada vez mais coisas usando menos tempo e recursos. Isso é ser eficiente, infelizmente, quanto mais eficiente somos, menos criativos ficamos. As empresas querem funcionários altamente eficientes e produtivos, e querem, na teoria, que eles também sejam criativos. Como podemos ser criativos se lutamos contra o relógio para produzirmos mais e mais rápido? Como podemos silenciar nossas mentes concretas, explorar novas oportunidades, contemplar e nos inspirar se não temos tempo para isso?

Acredito que um dos grandes dilemas de um futuro não muito distante será a luta da eficiência contra a criatividade. Todas as atividades repetitivas poderão ser realizadas por computadores e máquinas. À medida em que os computadores automatizarem cada vez mais as tarefas repetitivas, caberá ao homem as atividades criativas, abstratas e intuitivas, que só podem ser realizadas por seres humanos.

A educação

Educação

A Educação

“O conhecimento muitas vezes é o maior obstáculo para a criatividade quando se trata de resolver problemas, porque a ideia de abrir mão de todo esse conhecimento em favor de uma lousa em branco parece absurda.”

– Eric Wahl, A Lógica do Pensamento Criativo

O modelo educacional atual distancia o aluno de seu potencial criativo, ele apresenta um problema e apenas um caminho já pronto para se chegar na solução. A educação reforça o julgamento, e quanto mais julgamos, menos criativos ficamos. A partir do jardim de infância, aprendemos basicamente a usar apenas um lado do nosso cérebro, o esquerdo, que abriga habilidades analíticas, fatos e o pensamento racional e lógico. Mais de noventa por cento do que aprendemos na escola tende a exercitar-nos as faculdades de julgamento. “Faça desse modo”, “pense dessa maneira”, “não vá querer inventar a roda”.

O processo criativo precisa de liberdade de julgamento, de pensamento livre, de curiosidade, de abertura para que seja possível buscar soluções alternativas. Toda criança nasce criativa, e do jardim de infância à universidade, nossa educação estimula apenas o nosso pensamento concreto, lógico e julgador. Esse modelo nos força a sermos repetitivos e não estimula em nada a nossa mente abstrata, a nossa criatividade. Agora, com sua mente cheia de memorização, você pode repetir e produzir, é para isso que somos educados.

Albert Einstein não conseguiu passar em seu exame admissional. Seu intelecto criativo não permitia que ele se comporta-se padronizadamente como os outros, ele foi punido por isso. Einstein era extremamente criativo, ele não se encaixava nos padrões. A capacidade de Einstein de resolver problema diminuiu à medida que seus conhecimentos aumentaram.

A zona de conforto

Os esforços criativos encontram fortes resistências das pessoas em geral e do mundo externo. A maior parte das pessoas gosta de estar em sua zona de conforto, fazendo coisas que já sabem fazer, elas não gostam de mudanças. As convenções e os padrões são grandes inimigos da originalidade. Como ser criativo se devo apenas seguir processos e padrões? O pensador criativo não gosta de estar na zona de conforto, não gosta de pensar dentro da caixa, ele está sempre buscando o diferente. As pessoas tentam inibir os esforços criativos, elas foram treinadas para isso, além do mais, o novo as tiraria de sua zona de conforto. A maior parte dos grandes criadores sofre com a zombaria às suas ideias. É necessário ao criador não cair em desânimo, enfrentar as dificuldades sem perder o foco em sua criação.

O julgamento

Julgamento

Julgamento

As pessoas tendem a ser menos criativas com a idade, o fato é que elas se tornam vítimas de velhos hábitos. Esses são consequências de sua educação e de suas experiências, elas tendem a desenvolver inibições, o que torna rígido o ato de pensar. O importante para o pensamento criativo é questionar e não julgar. Se você quer ser criativo, deve se desfazer de muito do que os seus pais, seus professores e a sociedade o ensinaram. Libertando-se das coisas que o reprimem e o fazem um julgador, pense livremente, questione. A criatividade pode ser desencadeada por uma limpeza constante de suas ideias antigas.


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