Minha história empreendedora

Minha história empreendedora

Não existe um caminho seguro, não existe uma fórmula secreta, não existe um passo a passo para o caminho do sucesso, cada empreendedor deve encontrar o seu próprio caminho, e trilhar o seus próprios desafios. Contudo, podemos apontar o conjunto de conhecimentos e características necessárias para o sucesso do empreendedor, e ainda, aprender com o erro de outros empreendedores para que não seja necessário repeti-los.

Infância, criatividade e computadores

Sempre fui inquieto, criativo e curioso. Meu brinquedo favorito sempre foi o LEGO, nele eu criava o que eu queria, na hora que eu queria, do jeito que eu queria. Eu me desafiava a criar coisas diferentes, castelos, naves espaciais, carros, prédios, etc, não haviam limites. Eu enfrentava os problemas que a minha imaginação criativa construía, como eu faço o sistema que recolhe o trem de pouso do meu avião? Como eu faço esse mecanismo de lançamento da catapulta? Será que o caminhão de bombeiros que eu fiz cabe dentro desse prédio que eu estou construindo? Praticamente todos os dias eu me desafiava, o brinquedo era o mesmo, mas a brincadeira era sempre diferente. Agradeço do fundo do meu coração o esforço que meus pais fizeram, de sempre dar um jeito de comprar uma nova caixa de LEGO para mim, nos aniversários, no natal, no dia das crianças, mesmo sem condições financeiras para isso.

Agradeço também pela oportunidade que tive de lidar com arte, de todas as minhas aulas de pintura que eu sempre gostei, mesmo sem ter um talento inato para arte eu sempre fui criativo. Criei uma coleção de vaquinhas de argila, era a vaca chinesa, a vaca criança, a vaca de óculos de sol, a vaca com guarda chuvas, nem lembro mais de todas elas, mas foram experiências importantes.

Na escola eu sempre fui um aluno mediano, nunca gostei de estudar, na verdade nunca estudei durante o colégio, o que eu sempre fazia era o esforço mínimo para passar de ano, apenas estudava nas recuperações, quando lançava o desafio de tirar 10, e irritantemente tirava. Hoje entendo o terror do atual sistema de ensino para quem não se enquadra nos moldes. A grande ironia do sistema atual é que somos treinados por anos em competências técnicas de todos os tipos, da pré-escola à universidade, e quando chega a hora de entrar no mercado de trabalho, de empreender, somos cobrados a pensar fora da caixa, a sermos criativos e inovadores. Como podemos ser, se nunca fomos treinados, incentivados e levados a pensar dessa forma?

Ganhei meu primeiro computador aos 8 anos de idade, um PC-XT, que rodava usando o MS-DOS, não tinha disco rígido, e carregava tudo via grandes disquetes. Eu fiquei louco pela tecnologia, aquilo era incrível, eu podia criar textos, jogar, criar banners, fazer cálculos… Mas eu nunca entendi como aquilo funcionava, “meu deus como essa mágica acontece dentro dessa caixa?”. Isso foi o motor que me levou a estudar informática, eu precisava entender como aquilo tudo funcionava, por isso fiz meu curso técnico em informática e comecei o curso de ciência da computação.

Inicio profissional, administração de empresas e empreendedorismo

Acabei aprendendo como funcionava um computador, e achei legal a sua programação, era quase que nem o LEGO, eu podia construir qualquer coisa digitalmente, adorei! Disso surgiram duas experiências de trabalho distintas, em uma delas eu virei programador na maior empresa de desenvolvimento de software do brasil, na outra, trabalhei como professor de informática. Eu odiei ser programador, o ambiente da empresa era terrível, nada parecido com o que eu acreditava ser um bom ambiente de trabalho, o acesso a internet era bloqueado, eu não criava nada, apenas corrigia erros, eu não tinha liberdade. Além disso, outra coisa me fez pensar, eu não sabia nada sobre o software ERP (enterprise resource planning) no qual eu iria corrigir os erros e atualizar o código. Eu não entendia os processos, eu não entendia os módulos do sistema em que trabalhava, por que existiam aquelas funcionalidades, eu não entendia o que eu estava desenvolvendo, eu nunca consegui trabalhar em algo que não entendesse, em que eu não tinha paixão. Ai veio a curiosidade, eu precisava entender melhor as empresas, os processos, os sistemas, como tudo isso funciona. Decidi que ali eu não queria mais trabalhar. A experiência como professor por outro lado foi fantástica, eu lidava com pessoas, eu era bom com os alunos mesmo sem nenhuma experiência, eu me interessava por eles, e me esforçava para ensinar da melhor forma possível, eu tinha aptidão natural para ensinar.

Minha curiosidade me levou ao curso de administração de empresas, além de entender melhor as empresas, eu queria trabalhar em um lugar que tivesse a minha cara, a minha paixão, alias, eu não funciono sem paixão, eu queria ter a minha própria empresa. Gostei do curso, tive diversas experiência, participei de diversos programas de empreendedorismo, fiz cursos de desenvolvimento de novos negócios, aprendi a utilizar o business model canvas, práticas de customer development, fiz alguns planos de negócios, tive minha própria startup o Clic indica, que usava o poder das multidões para indicar quem queria comprar um apartamento, um carro, entre outras coisas. Trabalhei no marketing de uma multinacional do ramo tecnologia, trabalhei em uma pequena empresa, trabalhei no Sebrae-RS como consultor de pequenos negócios, trabalhei no marketing de um sindicato patronal, trabalhei em uma campanha política. Foi um período de muito crescimento profissional, de minhas habilidades, e conhecimentos. Nunca consegui ficar mais de 1 ano e meio em uma mesma organização, quando o meu aprendizado chegava a um limite, e minha tarefa era apenas executar o aprendido eu ia embora, não queria isso, eu nasci para pensar, para criar e não para repetir e repetir sem nenhum desafio.

Planejei muitos negócios, queria abrir uma escola, fiz um plano de negócios mas nunca consegui capital para tirar ela do papel. Minha startup não morreu porque fracassou, mas porque nem eu, nem meu sócio conseguíamos mais continuar tocando o negócio, precisávamos ganhar dinheiro para nos sustentar, ainda há muita validação a ser feita. Até aqui, eu nunca tinha sido um empreendedor de verdade, pois nunca consegui encarar os riscos de frente e avançar, ir adiante, faltava persistência, eu tinha medo, muito medo. Eu estava sempre pensando em que negócios eu conseguiria fazer sem dinheiro, ou quase sem nenhum dinheiro, só que isso não existe, sempre é necessário investimento, ele pode ser pequeno em alguns casos, mas é sempre necessário.

Uma experiência empreendedora real

Em 2015, ano em que iria me formar, resolvi arriscar tudo, vi a uma oportunidade na área de eventos, não existia nenhum evento de saúde que integrava suas diversas áreas, com uma exposição e palestras sobre saúde e vida saudável. Fiz algumas pesquisas, vi que existiam clientes interessados. Eu tinha outros problemas, além de não ter dinheiro, minha rede de contatos era horrível, eu não a cultivei, e agora ela fazia falta. O ramo de eventos foi o único que eu consegui alavancar o negócio sem ter muitos recursos, o dinheiro viria da venda dos standes, dos patrocínios e dos ingressos. A maior parte dos recursos seriam necessários apenas na data próxima a realização do evento. Quem entrou na minha vida empresarial nesse momento foi minha mãe, cansada de me ver patinando em tudo que eu fazia ela aceitou me ajudar, e foi dela a maior lição que eu tive na minha vida até aquele momento, a de ir até o fim. Minha mãe é uma empreendedora, sempre foi, montou diversos negócios, videolocadora, salão de beleza, um cibercafé, organizou cursos, feiras, eventos, mas ela nunca conseguiu fazer com que eles realmente decolassem. Ela tem diversas competências que complementavam as minha deficiências, assim virou minha sócia.

Comecei a estudar muito a área, na verdade eu conhecia muito poucos sobre saúde, vida saudável, e eventos. Levantamos os custos, fizemos um bom planejamento financeiro, material de vendas, website, comunicação visual. Eu tinha em minha cabeça: “eu sou administrador, eu estou preparado tecnicamente para isso”.

Tocamos o negócio, muitas ligações de vendas, e-mails, busca de parcerias, palestrantes, entre outra diversas atividades. Sabe aquela frase, a vida é difícil, os negócios são difíceis, aguente ou desista, o mundo não é dos fracos, no pain no gain, isso estava bem claro na minha mente. O andar do negócio foi bem assim, cheio de dificuldades, eu tentei desistir algumas vezes, fiquei deprimido, minha sócia que manteve a linha do negócio. Eu cobrava a mim e a minha sócia por resultados, e eles não apareciam, o tempo passava e poucas vendas saim, era um ano de crise política e econômica total no Brasil, tudo no que se falava era na crise. Mudamos diversas vezes o tamanho do negócio, como as vendas estavam muito lentas, fizemos muitas modificações, enxugamos o orçamento. Mudamos o núcleo do negócio de uma grande exposição para o fórum da saúde, era o que estava dando melhores resultados. Pagar o centro de eventos tinha virado um real pesadelo para nós, era um valor alto, e não conseguimos o valor da entrada a tempo, tivemos que mudar o local, o que foi uma das melhores decisões que tomamos, a decisão que salvou o projeto. Próximo ao evento conseguimos tomar mais algumas decisões ruins, colocamos pessoas para trabalhar que nos prometeram muito e acabaram não entregando nada, e algumas acabaram prejudicando o evento.

Não pensem que por sermos filho e mãe tocando o negócio que nossas brigas eram mais tranquilas do que a de sócios normais, eram de igual pra igual a daqueles filmes com reuniões nervosas e não construtivas. Nossa relação de mãe e filho praticamente não existiu durante esse período.

A gota d’água foi a algumas semanas antes do evento, estava dirigindo e tive que parar o carro, olhei para minha sócia e disse, estou tendo um infarto, esse era o nível de stress que eu estava em minha vida profissional, a vida pessoal nem existia mais. Descobri na cardiologia que não era um infarto, mas sim síndrome do pânico, problema no qual eu tive que lidar até o dia do evento. Parece bobagem, mas os sintomas do pânico são físicos, o coração dispara, você não consegue controlar, não parece ser algo psicológico, eu mal conseguia respirar. Bom, é isso que é ser um empreendedor? Esse é o caminho do sucesso? Esse é o caminho do suor e das lágrimas? Vale a pena?

O evento aconteceu, algo que não acreditávamos mais ser possível em diversos momentos, financeiramente a primeira edição do evento foi um desastre, ficamos com boas dívidas. Por outro lado validamos o nosso produto, quem estava no evento se encantou, juntamos pessoas de diversas áreas, médicos, enfermeiros, terapeutas, psicólogos, nutricionistas, farmacêuticos educadores físicos, empresários, pessoas em geral, todos juntos vibrando com cada palestra, com cada tema abordado. Nós acabamos recebendo uma linda homenagem durante o evento que nos pegou de surpresa, feita por nossos parceiros e clientes. Nosso negócio continua de pé.

O dia seguinte

Foi uma jornada de autoconhecimento fantástica. Com tudo encerrado, quebrado, minha esposa pediu o divorcio depois de termos ficado 14 anos juntos, ela disse que não acreditava em mim e no que eu fazia, fiquei sem carro, sem meu cachorro, entreguei meu apartamento e fui morar com minha mãe. E por mais desesperador que isso possa parecer em sua mente, eu estava bem, eu me encontrei, eu me descobri, eu achei a paz. Eu não vivia mais no medo, acabei enfrentando e vivendo todos os meus medos e sobrevivi, eu passei a viver plenamente, a viver o dia de hoje, eu aprendi a me amar, eu me auto realizo todos os dias que acordo e agradeço a oportunidade de estar vivo. Me redescobri como professor, como alguém que tem muito conteúdo, conhecimento, experiência a passar. Descobri que gostava de escrever, de ajudar, e que continuo gostando e tendo vontade de empreender. Eu entrei no fluxo, e tudo começou a mudar. Conheci pessoas maravilhosas, que irão se engajar no evento, encontrei um novo sócio, que acredito que seja a pessoa com maior conhecimento empresarial e espiritual com quem já conversei. Conheci ideais diferentes, ideais que me complementaram, nunca mais vou viver nenhum pesadelo, as coisas não serão mais pesadas, não vivo mais no esforço, trabalho no que me faz feliz, no que me da prazer, e esse é o principal segredo da vida.

Hoje eu posso dizer claramente: eu sou um empreendedor, um inovador, um criador, que transforma ideias em produtos, serviços e organizações. Também sou um professor, alguém que ama passar o conhecimento e as experiências adiante, alguém que se importa com as pessoas a seu redor. Quero ajudar empreendedores do mundo todo a terem sucesso, e para isso devem se autoconhecer, superar seus medos, conhecer seu poder pessoal, ter as competências técnicas necessárias e a criatividade necessária para o sucesso.

O livro

Então, como administrador de empresas, como empreendedor, como empresário, como professor e como ser humano, desenvolvi o Equilíbrio Empreendedor: O tripé do sucesso, composto pela Técnica, Criatividade e Poder Pessoal, três pilares essenciais para o empreendedor de sucesso. O livro foi desenvolvido a partir de minhas experiências, conhecimentos, de minha mente criativa, das minha intuição, meus fracassos e sucessos. Definitivamente o livro não é um guia, pois o caminho do empreendedorismo e da vida é diferente para cada pessoa, mas o livro apresenta uma série de características indispensáveis para qualquer empreendedor que busque ter sucesso na era da informação.

Essa história não tem um fim, pois ela é apenas um começo.


eBook livre e gratuito Equilíbrio Empreendedor: O tripé do Sucesso – Técnica – Criatividade – Poder Pessoal

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